29 de dezembro de 2006

Ano Novo...



No final de mais um ano, fazem-se retrospectivas... Avaliam-se os passos dados, pensa-se nas coisas feitas e no que ficou por fazer; em tudo aquilo que se disse, como se disse e a quem se disse ou o que deixamos por dizer...
Ao chegar o fim do ano, desejamos sempre que o próximo seja melhor... Mais próspero, mais Feliz, mais harmonioso... Por isso, deixo aqui o meu desejo para 2007, tão bem descrito nas palavras de António Variações!

"Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar"

A todos um Grande e Fabuloso 2007.

17 de dezembro de 2006

Na corda bamba...


No alvorecer de cada dia, emergem das sombras inúmeras possibilidades de mudar a nossa vida… Incontáveis os caminhos, a decisão quase automática é inexplicável e leva-nos invariavelmente ao desconhecido!
Sucumbimos ao dia-a-dia quase sem reflectir, vivemos em função de um emprego, de uma tarefa, de um passatempo… Temos um objectivo a cumprir mas, sem que nos apercebamos, com o passar do tempo tudo se torna mecânico. Perdemos a essência, desviamo-nos (ainda que sem querer) do propósito que nos conduziu àquela situação. Damos por nós na corda bamba…
A determinada altura paramos, olhamos em redor e só existe uma questão possível:
- O que nos trouxe até aqui?!
O livre arbítrio… A capacidade racional de optar por um ou outro caminho. A liberdade de escolher entre exercer uma ou outra profissão; de escolher entre uma palavra ou uma atitude; de preferir estar só ou acompanhado!
Se pararmos para reflectir, podemos comparar a vida a um imenso corredor repleto de portas… Qual abrimos, quando e porquê, é impossível de definir.
E, se procurarmos saber por que razão vivemos em função de objectivos, acabaremos por concluir que tudo tem um fim e o mais importante é efectivamente tudo o que quisemos aprender, soubemos partilhar e transmitir a todos aqueles que adoçam e amargam os nossos dias!

10 de dezembro de 2006

Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.

Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só dos teus olhares me purifique e acabe.

Há muitas coisas que eu quero ver.
Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o teu reino antes do tempo venha.
E se derrame sobre a Terra
Em primavera feroz pricipitado.

Sophia de Mello Breyner Andresen

5 de dezembro de 2006

Há palavras que nos Beijam...

Há palavras que nos beijam e pessoas que nos tocam… Tocam o mais íntimo de cada um de nós de uma forma inexplicável, sem receios, sem limites…
Há palavras que nos beijam e pessoas que nos marcam, como tatuagens que se gravam na Alma. Sem pensar, sem a intenção de penetrar no nosso mundo…
Há palavras que nos beijam e pessoas que se tornam pura e simplesmente insubstituíveis nas nossas vidas… Que enchem os nossos dias com sons e sorrisos de Alegria, com tons e gestos que nos fazem querer ser um pouco melhor a cada dia que passa. E são essas pessoas que nos fazem ver a vida de uma outra forma, que nos fazem ver que a Felicidade não é mais do que aprender a dar de nós.
É então que a Luz preenche os nossos corações, que a Alegria se espraia como um corpo que se estende ao Sol… E tudo fica mais simples, tudo se torna mais claro aos nossos olhos e passamos, enfim, a ser capazes de mudar o Mundo num gesto só. O tempo ganha uma nova dimensão, a dimensão da dádiva e da partilha… a dimensão do contentamento e do Amor!
O Carinho torna-se um vício, a Presença necessária a cada inspiração… Não percamos pois a noção das cores da vida… Não percamos a capacidade de sentir, de respirar, de olhar… Soltemos as amarras sentimentais e deixemos os nossos corações sentirem o sabor da essência que adoça a vida!

4 de dezembro de 2006

No início...

Amor desta tarde que arrefeceu
as mãos e os olhos que te dei.
Amor exacto, vivo, desenhado
a fogo, onde eu próprio me queimei.

Amor que me destrói e destruiu
a fria arquitectura desta tarde,
Só a ti canto, que nem eu já sei
outra forma de ser e de encontrar-me.

Só a ti canto, que nao há razão
para que o frio que me queima os olhos
me trespasse e me suba ao coração.

Só a ti canto, que não há desastre
donde não possa ainda erguer-me
para encontrar de novo a tua face...

Eugénio de Andrade