8 de fevereiro de 2007

O que nos Une…





A grande questão não está nas coisas que nos tornam diferentes, mas sim em tudo aquilo que nos une e faz de nós seres tão semelhantes.
Somos pó, somos cinza, somos ar, matéria… Somos átomo e molécula, mas acima de tudo, Somos!
Seres animados, caminhantes, pensantes… Fomentamos crenças, teorias. Pensamos e repensamos, sem que consigamos atingir a essência.
Decompomos meticulosamente a vida, as ligações químicas e as sinapses. Reacções básicas e indispensáveis são de tal modo habituais que acabamos por esquecer ou desvalorizar.
Somos primeiramente sentimento, pois só as emoções nos movem. E isto é tão verdade quando nos tornamos capazes de amar uma música, um lugar, uma planta, um animal… É a troca de emoções, o prazer ou a desilusão que delas advêm, que nos faz desejar sempre mais! Como um vício, uma dependência…
E quando perdemos o rumo, regressamos ao essencial… Refugiamo-nos junto dos que nos Amam, procuramos os lugares onde um dia tivemos Paz… Procuramos as origens, na doce esperança de que esse regresso nos ajude a recomeçar a Caminhada!

18 de janeiro de 2007

Começou bem!

O novo ano começou bem!
A noitada de fim-de-ano foi fantástica, não tivesse eu estado rodeada de Amigos que me fizeram acreditar ainda com mais força que 2007 vai ser o Ano das nossas vidas!!!
Uns dias depois eis que chega o primeiro amargo de boca do ano... Espetei a minha BaNessa (o meu automóvel, entenda-se!) na traseira de um outro carro, foi o fim do mundo... Mas como sempre, são os maus momentos que nos fazem crescer! Assim aprendi a preencher uma declaração amigável; descobri como dói, no literal sentido da palavra, bater com o nosso carrinho de estimação; percebi ainda, que a minha conta bancária seria drasticamente abalada logo no começo do ano....
Agora ando a reaprender como é bom andar de autocarro, como se recarregam os novos cartões dos STCP, quais os horários do BUS necessário pra chegar ao emprego... Enfim, uma parafernália de coisas agradáveis que se aprendem ao depender dos transportes públicos. Mas como tudo tem o seu lado positivo, até andar de autocarro é bom... Aproveitamos para olhar para as ruas que tantas vezes vemos sem realmente olhar... Para ouvir as conversas de quem tanto gosta de falar com todas as pessoas que entram no autocarro; de ver o quão descontentes os utentes estão com as novas linhas disponibilizadas pela empresa de transportes e, o melhor de tudo, a forma simpática e agradável com que os motoristas nos presenteam ao conduzir o veículo tão apressadamente... como se em vez de pessoas transportassem gado!!!
De qualquer das formas, tenho muitas mais oportunidades de ver as montras, de entrar nas lojas e comprar absolutamente nada... E não tenho de me preocupar com estacionamentos ou multas.
No final a melhor conclusão que posso tirar de tudo isto é que: sou uma automóveldependente!!!

Termino como comecei... 2007, vai ser um grande Ano!

29 de dezembro de 2006

Ano Novo...



No final de mais um ano, fazem-se retrospectivas... Avaliam-se os passos dados, pensa-se nas coisas feitas e no que ficou por fazer; em tudo aquilo que se disse, como se disse e a quem se disse ou o que deixamos por dizer...
Ao chegar o fim do ano, desejamos sempre que o próximo seja melhor... Mais próspero, mais Feliz, mais harmonioso... Por isso, deixo aqui o meu desejo para 2007, tão bem descrito nas palavras de António Variações!

"Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar"

A todos um Grande e Fabuloso 2007.

17 de dezembro de 2006

Na corda bamba...


No alvorecer de cada dia, emergem das sombras inúmeras possibilidades de mudar a nossa vida… Incontáveis os caminhos, a decisão quase automática é inexplicável e leva-nos invariavelmente ao desconhecido!
Sucumbimos ao dia-a-dia quase sem reflectir, vivemos em função de um emprego, de uma tarefa, de um passatempo… Temos um objectivo a cumprir mas, sem que nos apercebamos, com o passar do tempo tudo se torna mecânico. Perdemos a essência, desviamo-nos (ainda que sem querer) do propósito que nos conduziu àquela situação. Damos por nós na corda bamba…
A determinada altura paramos, olhamos em redor e só existe uma questão possível:
- O que nos trouxe até aqui?!
O livre arbítrio… A capacidade racional de optar por um ou outro caminho. A liberdade de escolher entre exercer uma ou outra profissão; de escolher entre uma palavra ou uma atitude; de preferir estar só ou acompanhado!
Se pararmos para reflectir, podemos comparar a vida a um imenso corredor repleto de portas… Qual abrimos, quando e porquê, é impossível de definir.
E, se procurarmos saber por que razão vivemos em função de objectivos, acabaremos por concluir que tudo tem um fim e o mais importante é efectivamente tudo o que quisemos aprender, soubemos partilhar e transmitir a todos aqueles que adoçam e amargam os nossos dias!

10 de dezembro de 2006

Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.

Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só dos teus olhares me purifique e acabe.

Há muitas coisas que eu quero ver.
Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o teu reino antes do tempo venha.
E se derrame sobre a Terra
Em primavera feroz pricipitado.

Sophia de Mello Breyner Andresen

5 de dezembro de 2006

Há palavras que nos Beijam...

Há palavras que nos beijam e pessoas que nos tocam… Tocam o mais íntimo de cada um de nós de uma forma inexplicável, sem receios, sem limites…
Há palavras que nos beijam e pessoas que nos marcam, como tatuagens que se gravam na Alma. Sem pensar, sem a intenção de penetrar no nosso mundo…
Há palavras que nos beijam e pessoas que se tornam pura e simplesmente insubstituíveis nas nossas vidas… Que enchem os nossos dias com sons e sorrisos de Alegria, com tons e gestos que nos fazem querer ser um pouco melhor a cada dia que passa. E são essas pessoas que nos fazem ver a vida de uma outra forma, que nos fazem ver que a Felicidade não é mais do que aprender a dar de nós.
É então que a Luz preenche os nossos corações, que a Alegria se espraia como um corpo que se estende ao Sol… E tudo fica mais simples, tudo se torna mais claro aos nossos olhos e passamos, enfim, a ser capazes de mudar o Mundo num gesto só. O tempo ganha uma nova dimensão, a dimensão da dádiva e da partilha… a dimensão do contentamento e do Amor!
O Carinho torna-se um vício, a Presença necessária a cada inspiração… Não percamos pois a noção das cores da vida… Não percamos a capacidade de sentir, de respirar, de olhar… Soltemos as amarras sentimentais e deixemos os nossos corações sentirem o sabor da essência que adoça a vida!

4 de dezembro de 2006

No início...

Amor desta tarde que arrefeceu
as mãos e os olhos que te dei.
Amor exacto, vivo, desenhado
a fogo, onde eu próprio me queimei.

Amor que me destrói e destruiu
a fria arquitectura desta tarde,
Só a ti canto, que nem eu já sei
outra forma de ser e de encontrar-me.

Só a ti canto, que nao há razão
para que o frio que me queima os olhos
me trespasse e me suba ao coração.

Só a ti canto, que não há desastre
donde não possa ainda erguer-me
para encontrar de novo a tua face...

Eugénio de Andrade